quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Who are you

Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
(Thiago de Mello)

Jordana queria tudo. Queria as tardes de verão e o aconchego do inverno, as mais finas iguarias e o cachorro quente da esquina, as doces notas do saxofone e a viceralidade da guitarra. Jordana achava que a vida deveria seguir de uma forma estabelecida. Estudar, crescer, trabalhar, amar, casar, criar, cansar. Andava pela rua e observava os sorrisos que recebia com uma idéia fixa das qualidades e até mesmo proporções do seu homem perfeito. Haverá de ser forte, loiro, haverá de me colher flores e abrir portas, como na música que cantava Bob Dylan. E vinha assim filtrando por entre olhares o amor certo que decididamente encontraria. Jordana era inteligente, era bonita, os cabelos quase ruivos espalhando-se por uma pele macia, que não conhecia o desgaste, que não conhecia o sofrer. Queria ser escritora, pois os escritores lhe emanavam aquela aura quase mística. De quem sabe exatamente um pouco a mais do que todos os outros. Queria uma casa no campo, com uma varanda de frente para o pôr do sol e uma sala por onde entrasse os primeiros sóis da manhã. Queria filhos. De olhos azuis e cabelos angelicais. Queria um amor perfeito, com waffles pela manhã e ardores ao fim da tarde. Com rosas aos domingos, com passeios pelo zoológico e pipoca aos macacos. Jordana queria tudo.

Queria tanto que não soube ter algo que não soubera querer. Deixou os olhos verdes e os cabelos negros passarem tristes por ela. Largou a mão macia que buscava lhe mostrar algumas pequenas belezas pelo caminho. A voz doce, os contornos belos, nada disso era o que Jordana queria. O amor simples, os sorrisos fáceis. O gostar como forma de ter. Aquela simplicidade não se encaixava em seus grandes planos. Seguiu seu caminho enfim, querendo sempre algo logo após o horizonte. Cega às margaridas que passam por seus pés, alheia às águias que voam sobre si. Jordana tanto queria que sequer percebia as belezas e felicidades da jornada. Sempre o querer, esquecendo-se do ser. Era Jordana, e o que mais?

2 comentários:

Marcia Lima disse...

olha, amiga, eu vou mandar a Polícia da Literatura te prender por trair a causa e ir pra vida nerd, ok? ok.

texto lindo, como sempre =*

Cogumela =) disse...

Quando se procura muito a coisa errada, acabamos por achar a certa. =)

Sapequinha esta Jordana.

Um abraço, pequena!

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